A cidade pesqueira tinha uma vantagem durante o inverno. Enquanto os armazéns fechavam, as hortas desapareciam sob a neve e os comerciantes aumentavam o preço de qualquer coisa comestível, o porto continuava funcionando. O mar não congelava completamente. Pelo menos, não nas regiões mais profundas. Éteram passara a frequentá-lo. Queria preparar outro peixe, e a conversa ouvida durante a vigilância do armazém não lhe saía da cabeça. Três ardélios.

Talvez já estivessem vendidos. Se restasse um, porém… Gostava de cozinhar: escolher ingredientes, descobrir combinações, acompanhar o que o calor fazia com cada alimento. Entretanto, desde que Apari começara a frequentar seu abrigo, havia descoberto outro prazer. Gostava de alimentá-la. A satisfação começava muito antes da primeira mordida. Surgia enquanto escolhia os ingredientes, quando imaginava o sabor que conseguiria produzir e, principalmente, quando pensava na expressão que encontraria no rosto dela.

Éteram já aprendera a reconhecer os pequenos sinais. Apari franzia o nariz quando alguma coisa estava salgada demais. Arregalava discretamente os olhos quando encontrava um tempero inesperado. E, quando realmente gostava de alguma coisa, costumava fechar os olhos por alguns instantes e produzir um pequeno ruído satisfeito que provavelmente negaria até a morte caso alguém mencionasse. Ele adorava aquele som. Naquela manhã, saiu cedo. Apari ainda dormia, enrolada no cobertor.

Éteram deixou algumas batatas perto da fogueira e colocou um pedaço adicional de lenha ao alcance dela. Depois vestiu o casaco. Antes de sair, olhou novamente para Apari. Dormia com a boca ligeiramente aberta e uma das mãos escondida sob o rosto. Ele sorriu. Talvez conseguisse trazer alguma coisa que a fizesse sorrir também.


O porto estava movimentado. A neve se acumulava sobre as cordas, as carroças e os telhados dos armazéns. Homens descarregavam embarcações enquanto outros quebravam as camadas mais finas de gelo que se formavam entre os pilares dos atracadouros. O ar cheirava a sal, peixe e madeira molhada.

Éteram caminhou entre os comerciantes, examinando as mercadorias. Havia peixes pequenos, vendidos aos montes. Outros, maiores, estavam pendurados pelas caudas, com os olhos opacos e as escamas cobertas por uma fina camada de gelo. Nenhum ardélio. Éteram começou a desconfiar que havia perdido a oportunidade. Então ouviu uma discussão.

— Eu não vou pagar isso!

Diminuiu o passo. Um homem bem-vestido discutia com um pescador diante de uma pequena embarcação.

— Então compra outro peixe — respondeu o pescador.

— Pelo preço de três porcos?

— Quatro, se continuar reclamando.

O comerciante ficou vermelho. Éteram se aproximou discretamente. Sobre uma caixa de madeira, o pescador mantinha uma tina funda, cheia de água salgada. Um tecido grosso protegia o recipiente do vento, deixando apenas uma pequena abertura. Alguma coisa se moveu lá dentro. O pescador retirou o tecido.

Um peixe comprido, aproximadamente do tamanho do antebraço de Éteram, nadava lentamente dentro da tina. Suas escamas azul-escuras eram atravessadas por delicadas linhas acobreadas, enquanto as nadadeiras possuíam bordas quase transparentes. A água fumegava. Éteram reconheceu imediatamente o animal. Um ardélio. Os pescadores também o chamavam de brasa-do-gelo. Dizia-se que esses peixes habitavam as regiões mais frias do oceano, especialmente onde o gelo avançava mar adentro durante os invernos rigorosos.

Acumulavam magi em um órgão próximo ao ventre e consumiam essas reservas para produzir calor, mantendo os próprios fluidos aquecidos mesmo quando a temperatura da água caía abaixo do ponto em que normalmente congelariam. Entretanto, possuíam outra característica extraordinária. Respiravam ar.

Quando precisavam alcançar a superfície, concentravam calor próximo à cabeça e derretiam pequenas aberturas nas camadas mais finas do gelo. Por elas, colocavam o focinho para fora e respiravam antes de retornar às águas profundas. Éteram observou o animal subir lentamente dentro da tina. O ardélio colocou a extremidade da cabeça para fora da água.

Uma pequena abertura respiratória se expandiu próxima às brânquias. Depois, mergulhou novamente. O pescador acompanhou o movimento com evidente satisfação.

— Vivo e saudável. Não vai encontrar outro igual durante semanas.

O comprador cruzou os braços.

— Ainda não vale esse preço.

— Então compra um morto.

O pescador apontou para outra embarcação.

— Se encontrar algum que ainda preste.

O homem bem-vestido fez uma careta.

— Você fala como se fosse impossível conservar essa coisa.

O pescador soltou uma gargalhada.

— Então leva para casa e tenta!

Mergulhou a mão na tina e a retirou imediatamente.

— Está vendo? Quente como água de banho!

Éteram se aproximou. O ardélio nadava lentamente, indiferente ao vento que arrastava neve sobre a embarcação. As linhas acobreadas de suas escamas brilhavam a cada movimento. Uma pequena placa de gelo caiu na tina. O peixe se aproximou. Por alguns instantes, as linhas de seu corpo adquiriram uma luminosidade alaranjada. O vapor aumentou.

A água começou a se agitar delicadamente ao redor do animal. Éteram observou a placa de gelo diminuir. Não era uma ilusão. O ardélio estava aquecendo a própria água. O comprador também percebeu. Aproximou-se.

— Está fazendo isso sozinho?

O pescador soltou uma gargalhada.

— Não! Tem um homenzinho lá dentro esfregando duas pedras!

Alguns trabalhadores começaram a rir. O comprador ficou vermelho. O pescador recolheu a pequena placa, agora reduzida à metade.

— Esse calor vem de dentro. Enquanto tem magi, continua aquecendo o próprio corpo.

O homem bem-vestido examinou novamente o peixe.

— E quando morrer?

O pescador abriu os braços.

— Cozinha imediatamente ou enterra no gelo. E reza para ter bastante!

Apontou para a água fumegante.

— Ele não sabe que morreu! A magi continua aquecendo a carne até acabar. Se você esperar, amanhã vai ter comprado a podridão mais cara da cidade!

As pessoas próximas riram. Éteram conhecia o problema: a reserva de magi não desaparecia com a morte do ardélio. Enquanto um peixe comum se conservava no frio, aquele exigia gelo em quantidade, reposto à medida que derretia. Vender vivo poupava ao pescador parte do risco de perder a mercadoria.

O inconveniente era que um ardélio vivo continuava consumindo magi e exigia alimento, água salgada e acesso ao ar. Mantê-lo por muito tempo dentro de uma tina custava caro. O pescador estava visivelmente impaciente.

— Ou compra ou deixa outro comprar!

O homem bem-vestido examinou novamente o animal.

— Por esse preço, eu devia poder levar a tina também.

— A tina custa outro porco.

As pessoas próximas voltaram a rir. O comprador desistiu. Afastou-se, resmungando sobre pescadores gananciosos. Éteram permaneceu observando o animal. O ardélio tornou a se aproximar da superfície. Parte de suas escamas brilhou. Uma nova coluna de vapor se ergueu da tina.

A gordura que aqueles peixes acumulavam durante o inverno era famosa entre os cozinheiros. Derretia lentamente durante o preparo, conferindo à carne uma textura macia e um sabor delicadamente adocicado. Um ardélio preparado imediatamente após o abate podia custar uma pequena fortuna nos melhores estabelecimentos da cidade. Éteram imaginou a pele dourando sobre sua chapa. O molho. O cheiro. Principalmente, imaginou a expressão de Apari quando experimentasse a primeira porção. Droga. Precisava daquele peixe.


O problema era que o pescador não parecia distraído. Mantinha o ardélio coberto por um tecido grosso e não permitia que ninguém se aproximasse sem antes demonstrar que possuía dinheiro. Éteram passou quase uma hora observando.

Conseguiu perceber que o homem também vendia outros pescados, mas deixava o ardélio separado, reservado para compradores interessados. Um pequeno cordão vermelho estava preso à cauda do animal. O pescador havia marcado a mercadoria. Éteram não gostou daquilo. Gostou ainda menos quando percebeu que dois homens acompanhavam discretamente as negociações. Não eram pescadores. Suas roupas estavam limpas demais, e ambos carregavam bastões. Devia procurar outro peixe.

Olhou de novo para a tina. Por um instante, o risco cedeu lugar à lembrança de Apari soprando a comida, impaciente, e ao som que fazia quando gostava da primeira mordida. Éteram apertou os lábios. Droga.

Já estava perdido. Precisou esperar até o movimento aumentar. O pescador começou a descarregar outras mercadorias, discutindo com um comprador que reclamava da qualidade dos peixes menores. Um dos homens que vigiavam a embarcação se afastou para ajudar, enquanto o outro tentava impedir que uma discussão entre dois carregadores terminasse em pancadaria.

A oportunidade duraria pouco. Éteram procurou alguma coisa que pudesse utilizar para transportar o animal. Encontrou um pequeno recipiente de madeira próximo às mercadorias e o forrou com o tecido úmido que estava sobre a tina. Não conseguiria carregar toda a água. Nem precisava.

O ardélio era capaz de respirar fora dela durante algum tempo, desde que permanecesse suficientemente úmido. Quando ninguém estava olhando, retirou o animal da tina. O peixe se debateu. Éteram quase o deixou cair. Conseguiu acomodá-lo no recipiente, cobriu-o com o tecido molhado e se afastou imediatamente. Só quando alcançou outra rua percebeu que o coração estava batendo tão depressa quanto as nadadeiras do ardélio se movimentavam dentro do embrulho. Olhou para trás. Ninguém parecia segui-lo. Continuou andando.

No caminho, utilizou a água salgada que conseguira transportar para manter o tecido úmido. Precisou parar algumas vezes para impedir que o peixe escapasse. Na segunda parada, percebeu que havia outro problema. O embrulho estava quente. Não morno. Quente. Mesmo com o tecido molhado e a neve que se acumulava sobre ele, o ardélio continuava irradiando calor. Pequenas nuvens de vapor escapavam pelas aberturas do pacote. Éteram olhou para a rua. Depois para o embrulho. Maravilha.

Agora não estava apenas transportando um peixe roubado. Estava transportando um peixe roubado que anunciava a própria presença. Precisou envolvê-lo novamente, deixando uma pequena passagem para que pudesse respirar. O vapor diminuiu, mas não desapareceu completamente. Aquilo era consideravelmente mais trabalhoso do que roubar batatas. Também era muito mais perigoso. Éteram sabia disso. Entretanto, sempre que considerava abandonar aquela estupidez, imaginava novamente a expressão de Apari. E continuava.


Quando finalmente voltou ao abrigo, o sol começava a desaparecer atrás dos telhados. Apari estava sentada perto da fogueira. Ergueu os olhos assim que ouviu a porta.

— Você demorou.

Éteram retirou a neve dos ombros.

— Encontrei uma coisa.

Ela examinou o embrulho volumoso que ele carregava. Uma pequena nuvem de vapor escapou do tecido. Apari franziu a testa.

— O que é isso?

Éteram sorriu.

— Comida.

O embrulho se mexeu. Apari levantou a cabeça.

— O que foi isso?

Éteram apertou o tecido contra o corpo.

— Nada.

Alguma coisa se debateu novamente. Apari se levantou.

— Éteram.

Ele suspirou.

— É comida.

Ela olhou para o embrulho. Depois para ele.

— Sua comida está tentando fugir.

Éteram colocou o pacote sobre a bancada. O tecido ainda estava úmido e soltava vapor. Ao abri-lo, recebeu um golpe da cauda; Apari recuou.

— VOCÊ TROUXE ELE VIVO?!

— É melhor assim!

Ela ficou encarando-o. Éteram apontou para o animal.

— Preciso preparar antes que estrague.

Apari examinou as escamas acobreadas. Seu rosto perdeu a cor.

— Isso é um ardélio.

Éteram assentiu, satisfeito.

— É.

Apari ergueu a cabeça.

— Você roubou um ardélio?

Ele hesitou.

— Tecnicamente…

— ÉTERAM!

Ela examinou o embrulho. Encontrou o pequeno cordão vermelho. Seus olhos se arregalaram.

— Você roubou um ardélio marcado?!

Éteram começou a perceber que aquela apresentação não estava acontecendo exatamente como imaginara.

— Eu ia tirar isso.

Apari agarrou o cordão.

— Você sabe quanto custa essa porcaria?!

— Sei.

— Sabe?!

— Mais ou menos.

Ela apontou para a porta.

— VÃO TE CAÇAR!

Éteram olhou para o peixe. Depois para ela.

— Não sabem onde moro.

Apari ficou encarando-o. Abriu a boca. Fechou. Respirou profundamente.

— Um dia eu ainda vou te matar.

Ele levantou as mãos.

— Calma.

— CALMA?!

Apari arrancou o cordão da cauda do peixe. Examinou a marca presa ao tecido.

— Isso pertence a um dos comerciantes mais ricos do porto!

Éteram acompanhou seu olhar.

— Então ele consegue comprar outro.

Ela pareceu sinceramente considerar a possibilidade de acertá-lo com o próprio peixe. Éteram recuou.

— Antes de fazer isso, podemos cozinhar?

Apari fechou os olhos. Por alguns segundos, permaneceu imóvel. Depois soltou um suspiro tão profundo que Éteram começou a se perguntar se deveria procurar uma rota de fuga. Ela abriu os olhos.

— Por quê?

Ele hesitou.

— O quê?

Apari apontou para o ardélio.

— Por que roubou uma coisa tão cara?

Éteram olhou para o peixe. Não sabia como explicar. Poderia dizer que a carne era deliciosa. Que havia muito tempo desejava experimentar preparar um daqueles animais. Que o ardélio possuía características interessantes e seria uma oportunidade rara de observar como sua gordura reagia ao calor. Todas aquelas explicações eram verdadeiras. Nenhuma era a principal.

— Queria fazer uma coisa diferente para você.

Apari parou. Éteram desviou os olhos.

— Você disse que estava cansada de batata.

O silêncio se prolongou. Ela olhou novamente para o peixe. Depois para ele.

— Seu idiota.

Dessa vez, sua voz saiu mais baixa. Éteram começou a sorrir.

— Então posso cozinhar?

Apari passou a mão pelo rosto.

— Se alguém aparecer procurando esse peixe, eu mesma te entrego.

Ele assentiu.

— Justo.

Ela pegou o cordão vermelho.

— Primeiro vamos nos livrar disso.


Éteram dedicou o começo da noite à refeição. Apari, apesar das reclamações, acabou ajudando. Primeiro, ele limpou cuidadosamente a chapa. Esfregou a superfície, retirou os resíduos das refeições anteriores e separou os utensílios que utilizaria. Apari observava.

— Você vai gastar toda a água.

— Quero deixar tudo limpo.

Ela percebeu a maneira como ele examinava a chapa. Demorou alguns segundos para compreender.

— Éteram.

Ele continuou trabalhando.

— Hm?

— Eu posso comer peixe.

Ele levantou os olhos. Apari apontou para o ardélio.

— Peixe. Não camarão.

Éteram permaneceu quieto. Ela se aproximou.

— Está me ouvindo?

— Estou.

— Então para de fazer essa cara.

Ele assentiu. Entretanto, terminou a limpeza antes de começar. Não utilizaria camarão, outros crustáceos ou qualquer ingrediente cuja procedência desconhecesse. Também dispensou um tempero comprado no porto porque não conseguiu identificar todos os componentes da mistura. Apari observou os preparativos em silêncio. Dessa vez, não reclamou. Por fim, separou os recipientes para o caldo e a gordura. Apari continuava de olho no peixe.

— Você não vai matar logo essa coisa?

Ele examinou os utensílios.

— Ainda não.

— Por quê?

— Porque não quero que estrague.

Ela olhou novamente para o ardélio. O animal continuava se movendo discretamente dentro do recipiente improvisado. Éteram já havia preparado tudo. Só então se aproximou do peixe.

— Agora.

Abateu-o com um golpe rápido. Apari permaneceu observando enquanto ele começava a trabalhar. Ao abrir o ventre, Éteram encontrou o órgão responsável pela produção de calor. Era pequeno e possuía uma coloração acobreada, atravessada por filamentos que pareciam delicadas raízes. Mesmo depois da morte do animal, ainda conservava parte da energia acumulada. Éteram aproximou os dedos. Sentiu o calor.

— Olha isso.

Apari examinou o órgão.

— Parece uma pedra quente.

— Ainda tem magi aqui.

Ele afastou cuidadosamente aquela estrutura das partes que pretendia cozinhar. Colocou-a sobre uma pequena placa de pedra. Por alguns instantes, permaneceu observando. Os filamentos conservavam um brilho fraco. Um resto de neve no pano se desfez junto à pedra, e Apari se aproximou para acompanhar a gota que escorria.

— Mesmo morto?

Éteram assentiu.

— Mesmo morto.

Ela olhou para o órgão. Depois para a carne.

— Então é por isso que estraga.

— Exatamente.

Ele apontou para as porções que havia separado.

— Enquanto essa coisa continuar aquecendo, não adianta deixar o peixe perto da janela. Preciso retirar tudo e preparar a carne antes que comece a perder a qualidade.

Apari examinou novamente o órgão.

— E quando a magi acabar?

— Esfria.

Ele pensou durante alguns segundos.

— Pelo menos, deveria.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Deveria?

Éteram sorriu.

— Nunca preparei um inteiro.

Apari fechou os olhos.

— Você roubou a mercadoria mais cara do porto para fazer uma experiência?

Ele levantou as mãos.

— Uma experiência deliciosa!

Ela apontou para a chapa.

— ENTÃO FAZ LOGO!

Éteram começou a rir.

— Estou trabalhando!

Apari se aproximou novamente.

— Posso ajudar?

Ele ergueu os olhos. Observou suas mãos. Depois lhe entregou as ervas que havia separado.

— Pode começar por estas.

Apari pegou os ingredientes. Éteram voltou ao peixe. Mesmo depois de retirar o órgão, ainda sentia um calor discreto sob as escamas. A energia residual havia se espalhado pelos tecidos durante a vida do animal e não desapareceria instantaneamente. Começou retirando-as cuidadosamente.

Sob a camada azul-escura, encontrou uma pele clara, quase prateada, atravessada por delicadas linhas alaranjadas. Os tecidos próximos ao órgão que havia retirado ainda possuíam uma temperatura incomum para um peixe exposto ao frio durante tantas horas. Éteram examinou a carne. Era firme. Clara. A gordura possuía uma tonalidade levemente dourada. Apari se aproximou.

— Vai ficar olhando para ele até voltar a nadar?

Éteram não desviou os olhos.

— Olha isso.

Ela examinou o peixe.

— Estou olhando desde que você chegou.

Ele mostrou uma das pequenas linhas acobreadas próximas à pele.

— A gordura fica acumulada aqui.

— E daí?

— Quando aquecer, vai derreter devagar.

Apari cruzou os braços.

— E daí?

Éteram olhou para ela, indignado.

— E daí que vai ficar delicioso!

Apari começou a rir.

— Então faz logo!

Ele balançou a cabeça. Bárbara. Continuou trabalhando. Separou as melhores porções, preservando a pele de um dos lados. Preparou um pequeno caldo com as partes aproveitáveis do próprio peixe e algumas ervas que havia guardado. Não acrescentou nada que pudesse lembrar o prato responsável pelo acidente. Queria que aquela refeição fosse inteiramente diferente.

Enquanto o caldo reduzia lentamente sobre o fogo, encontrou uma pequena fruta de casca verde que havia roubado no caminho de volta. Seu sabor era ácido, suficientemente intenso para equilibrar a gordura do peixe. Espremeria apenas algumas gotas. Nada mais. Quando a chapa finalmente alcançou a temperatura adequada, colocou as porções sobre o ferro.

O som preencheu o abrigo. Um chiado forte, contínuo. A gordura começou a escorrer lentamente, espalhando-se pela superfície quente. Éteram se aproximou imediatamente. A pele do ardélio adquiriu uma tonalidade dourada. Pequenas bolhas apareceram nas bordas, enquanto o aroma da carne se misturava ao das ervas e ao cheiro ácido da fruta. Apari ergueu a cabeça.

Farejou discretamente. Éteram percebeu. Sorriu. Agora começou.

O cheiro tomou conta do abrigo. Não se parecia com o dos pescados baratos que costumavam encontrar no porto. Havia alguma coisa mais intensa naquela gordura, um aroma que lembrava manteiga aquecida e carne assada, acompanhado pelo perfume das ervas que Éteram acrescentara ao molho. Apari abandonou o lugar onde estava sentada. Aproximou-se da chapa.

— Já está pronto?

— Não.

Ela observou a superfície dourada.

— Parece pronto.

— Ainda falta.

Apari pegou uma pequena colher. Éteram segurou sua mão antes que alcançasse o molho.

— Nem pensa.

Ela olhou para ele.

— Só vou experimentar.

— Vai experimentar quando terminar.

Apari estreitou os olhos.

— Você está muito mandão.

Éteram apontou para a fogueira.

— E você está atrapalhando o cozinheiro.

Ela abriu a boca, indignada. Depois percebeu o sorriso dele.

— Idiota.

Voltou para perto do fogo. Permaneceu observando. Éteram deixou o peixe descansar por alguns instantes antes de terminar o molho. Acrescentou parte do caldo reduzido à gordura que havia permanecido sobre a chapa, misturou as ervas e, por último, espremeu algumas gotas da fruta ácida. O molho começou a engrossar. Experimentou. Franziu a testa. Acrescentou mais uma pequena quantidade de caldo. Experimentou novamente. Dessa vez, sorriu. Apari percebeu imediatamente.

— Pronto?

Éteram olhou para ela.

— Quase.

Ela soltou um gemido de indignação.

— EU VOU MORRER DE FOME!

Ele começou a rir.

— Você comeu hoje!

— Não esse peixe!

Éteram voltou para a chapa. Estava satisfeito demais para responder. Quando finalmente terminou, escolheu o melhor pedaço. A pele estava dourada, delicadamente crocante nas bordas. A carne permanecia macia, dividindo-se em pequenas lâminas sempre que a tocava com a colher. Colocou a porção sobre o prato de Apari. Depois despejou o molho.

O líquido espesso escorreu lentamente pela superfície do peixe, acumulando-se nas pequenas aberturas da carne e espalhando um aroma ainda mais intenso. Acrescentou algumas raízes assadas para acompanhar. Examinou o resultado. Não estava tão bonito quanto gostaria. Faltavam ingredientes. Utensílios. Uma cozinha de verdade.

Mas era, provavelmente, a melhor refeição que havia preparado naquele abrigo. Entregou o prato. Apari o recebeu com as duas mãos. Durante alguns segundos, ficou olhando. Éteram observava seu rosto. Esperando. Ela aproximou o alimento do nariz. Inspirou discretamente. Seus olhos cresceram um pouco. Éteram sentiu uma satisfação imediata.

Apari retirou um pequeno pedaço da carne. Soprou. Colocou-o na boca. Ele prendeu a respiração. Ela começou a mastigar. Devagar. Muito mais devagar do que costumava. O rosto dela mudou. Primeiro, as sobrancelhas se ergueram discretamente. Depois, seus olhos se fecharam. Um pequeno som escapou de sua garganta.

— Hmmm…

Éteram ficou imóvel. Apari mastigou mais algumas vezes. Engoliu. Abriu os olhos. Olhou para o prato. Depois para ele.

— Éteram…

Ele se inclinou imediatamente.

— O quê?

Ela examinou o peixe.

— Que desgraça é essa?

O sorriso dele desapareceu.

— Está ruim?!

Apari ergueu os olhos, indignada.

— RUIM?!

Pegou outro pedaço. Dessa vez, arrastou-o cuidadosamente pelo molho antes de colocá-lo na boca. Fechou os olhos novamente. Outro pequeno som satisfeito escapou de sua garganta. Éteram começou a sorrir. Apari abriu os olhos.

— Por que você nunca fez isso antes?!

Ele soltou uma gargalhada.

— Porque custa mais do que todas as batatas que roubamos!

Ela olhou para o prato. Depois para ele. Sua expressão mudou discretamente.

— Seu idiota…

Entretanto, não conseguiu manter a indignação por muito tempo. Aproximou outra porção da boca. E continuou comendo. Éteram tinha servido para si uma porção menor, com o mesmo molho, mas quase a esqueceu. Apari já não devorava a comida: demorava em cada pedaço, deixava escapar comentários entre as mordidas. Quando arrastou outra porção pelo molho, uma gota dourada ficou no canto de sua boca. Ele não conseguiu desviar os olhos.

Apari continuou comendo sem limpar a pequena mancha dourada perto da boca. Ele sentiu o coração acelerar. Uma batida. Depois outra. A terceira pareceu acontecer no momento errado. O que foi isso? Apari soltou outro pequeno som satisfeito. Éteram apertou a colher. O sorriso apareceu antes que conseguisse escondê-lo. Ela ergueu os olhos.

— O que foi?

Ele piscou.

— Nada.

Apari continuou observando-o.

— Você está fazendo aquela cara.

— Que cara?

Ela apontou para ele com a colher.

— Essa.

Éteram desviou os olhos.

— Você sujou a boca.

Apari parou. Passou a língua pelos próprios lábios, tentando encontrar o molho. Não conseguiu limpar tudo. Éteram começou a rir. Ela franziu a testa.

— O quê?!

Ele lhe entregou um pequeno pedaço de tecido limpo.

— Aqui.

Apari pegou o pano. Limpou um dos lados da boca. Éteram balançou a cabeça.

— O outro.

Ela limpou o outro lado.

— Agora?

Ele examinou. Ainda havia uma pequena mancha próxima ao canto dos lábios. Seu coração voltou a bater depressa. Éteram afastou os olhos imediatamente.

— Agora.

Apari desconfiou. Examinou o pano. Depois olhou para ele.

— Você está rindo de mim.

— Não estou!

Ela estreitou os olhos.

— Está.

Éteram finalmente começou a rir. Apari lhe atirou o tecido.

— Idiota!

Ele conseguiu pegá-lo antes que caísse no molho. Ela voltou a comer. Éteram permaneceu sorrindo. Não compreendia exatamente por que aquela pequena cena o deixara tão satisfeito. Também não parecia interessado em descobrir. Apari terminou a primeira porção. Examinou o prato vazio. Depois olhou para a panela. Éteram acompanhou seu olhar.

— Quer mais?

Ela permaneceu em silêncio durante alguns segundos.

— Tem?

Ele sorriu. Havia guardado outra porção. Naturalmente. Colocou-a no prato de Apari e acrescentou um pouco mais de molho. Ela observou o movimento.

— Você já tinha separado.

Éteram deu de ombros.

— Imaginei que fosse gostar.

Apari ficou quieta. Depois olhou para o próprio prato.

— Você é um idiota.

Ele começou a rir.

— Você já falou.

Ela pegou outra porção. Mastigou lentamente. O sorriso desapareceu; por um instante, manteve a comida parada na boca. Engoliu e ergueu os olhos.

— Éteram.

Ele estava finalmente começando a comer.

— Hm?

— Não faz isso de novo.

Parou com a colher no ar.

— O quê?

Ela apontou para o peixe.

— Roubar uma coisa dessas.

Éteram olhou para o prato.

— Mas você gostou.

Apari ficou imóvel. Por um instante, pareceu sinceramente ofendida.

— É CLARO QUE GOSTEI!

Ele abriu um sorriso. Ela se inclinou em sua direção.

— Éteram, escuta!

O tom foi suficiente para fazê-lo parar de rir. Apari apertou a colher entre os dedos.

— Você sabe o que fazem com quem rouba mercadoria daquele valor?

Ele permaneceu quieto. Ela continuou:

— Não vão simplesmente te expulsar do porto. Vão procurar você. Se não conseguirem recuperar o peixe, vão querer encontrar alguma outra coisa que sirva de exemplo.

Éteram olhou para as próprias mãos. As pequenas cicatrizes das queimaduras ainda eram visíveis. Apari acompanhou seu olhar.

— Você já fez uma estupidez enorme por minha causa.

Ele ergueu os olhos.

— Aquilo foi um acidente.

— E isso foi o quê?!

Éteram abriu a boca. Não respondeu. Apari respirou profundamente. Depois voltou a observar o prato.

— Eu gostei.

Sua voz saiu mais baixa. Ele ficou olhando para ela. Apari mexeu no restante do molho com a colher.

— Gostei muito.

Fez uma pausa.

— Mas não preciso comer uma coisa dessas se for para você desaparecer por causa disso.

A lenha estalou no silêncio. Éteram olhou da colher apertada entre os dedos dela para o próprio prato. Apari não queria outra refeição daquelas se ele não pudesse sentar-se ali para dividi-la. Sentiu um calor no peito e tentou conter o sorriso. Ela percebeu.

— DO QUE VOCÊ ESTÁ RINDO?!

Éteram levantou as mãos.

— Nada!

— EU ESTOU FALANDO SÉRIO!

— Eu sei!

Ela ficou encarando-o. Éteram finalmente conseguiu recuperar a expressão.

— Não vou roubar outro.

Apari estreitou os olhos.

— Promete?

Ele hesitou. Ela ergueu a colher. Éteram respondeu imediatamente:

— Prometo!

Apari baixou o utensílio. Voltou a comer. Alguns segundos depois, ele acrescentou:

— A menos que encontre um ainda mais saboroso.

Apari quase engasgou.

— ÉTERAM!

Ele começou a rir. Precisou fugir para o outro lado da fogueira quando ela se levantou. Mais tarde, quando os pratos estavam vazios, Apari continuou sentada perto do fogo. Éteram limpava a chapa. Havia reservado parte do caldo e alguns pedaços menores do peixe para a refeição seguinte. Não pretendia deixar que estragassem.

Retirou os recipientes da proximidade da fogueira e os acomodou numa pequena caixa protegida, que colocou do lado mais frio da construção, entre dois blocos de neve compactada. Apari observou o trabalho.

— Vai congelar.

Éteram examinou a caixa.

— Essa é a ideia.

Ela apontou para o abrigo.

— E se os ratos encontrarem?

Ele terminou de encaixar a tampa.

— Então teremos ratos muito bem alimentados.

Apari revirou os olhos. Éteram voltou para a chapa. Ainda precisava limpar a gordura que havia grudado na superfície. Ela permaneceu observando. Depois perguntou:

— Você gosta mesmo disso.

Éteram olhou por cima do ombro.

— De quê?

Apari apontou para a chapa.

— Cozinhar.

Ele examinou os recipientes.

— Gosto.

Ela se acomodou melhor.

— Mais do que roubar?

Éteram respondeu imediatamente:

— Muito mais.

Apari demorou a responder. Depois perguntou:

— E gosta de ficar me olhando comer?

Ele quase deixou a concha cair. Apari abriu um sorriso. Éteram voltou imediatamente para a chapa.

— Eu olho para ver se você gostou!

— Sei.

— Preciso saber se ficou bom!

— Claro.

Ele continuou lavando o utensílio. Apari se aproximou. Sentou-se ao lado dele. Por alguns segundos, permaneceu observando seu trabalho. Depois apoiou discretamente a cabeça em seu ombro. Éteram parou. Apari fechou os olhos.

— Ficou muito bom.

Ele olhou para ela. Seu coração pareceu esquecer novamente o ritmo correto. Demorou alguns segundos para encontrar a própria voz.

— Obrigado.

Ela sorriu.

— Ainda acho que você é um idiota.

Éteram voltou a limpar a concha.

— Eu sei.

Apari permaneceu encostada nele. Depois de algum tempo, abriu um dos olhos.

— Amanhã ainda tem?

Ele olhou para os recipientes que havia separado. Sorriu.

— Tem.

Apari se acomodou novamente.

— Ótimo.

Éteram continuou trabalhando. Teriam de evitar o porto por algum tempo. Passou a concha pela última vez na água e começou a pensar em outros pratos: alguma coisa que arrancasse aquele mesmo sorriso de Apari e que pudessem comer sem vigiar a porta.


Nos dias seguintes, evitaram o porto. Apari escolhia ruas mais afastadas, e Éteram evitava carregar qualquer coisa que chamasse atenção. Aos poucos, o ardélio deixou de ser assunto entre eles, embora nenhum dos dois acreditasse que o risco tivesse desaparecido por completo.

Na última semana daquele segundo mês, Éteram começou a reconhecer uma diferença importante entre estar sozinho e sentir falta de alguém. Antes, quando Apari saía, o abrigo ficava silencioso. Agora, o silêncio parecia interromper alguma coisa. Ele se surpreendia preparando duas porções antes mesmo de saber se ela retornaria a tempo para a refeição.

Quando encontrava alguma coisa engraçada na rua, guardava a história para contar mais tarde. Quando descobria um ingrediente diferente, imaginava imediatamente o que Apari diria ao experimentá-lo. Ela também havia mudado. Passara a perguntar se ele precisava de alguma coisa antes de sair. Às vezes, retornava com pequenos objetos que considerava úteis. Noutras ocasiões, simplesmente aparecia mais cedo. Numa tarde, Éteram estava tentando reparar uma parte da chapa quando a ouviu entrar. Apari colocou um embrulho sobre o pano.

— Trouxe comida.

Ele levantou os olhos.

— O quê?

Ela abriu o embrulho. Havia um pequeno pedaço de carne conservada e algumas raízes. Éteram se aproximou imediatamente.

— Onde conseguiu isso?

Apari sorriu.

— Segredo.

Ele examinou a carne. Depois as raízes.

— Dá para fazer uma coisa boa.

— Melhor que batata?

Éteram fingiu pensar.

— Não sei.

Apari ergueu a mão como se estivesse prestes a acertá-lo. Ele começou a rir.

— Muito melhor!

Ela abaixou o braço.

— Assim espero.

Passaram a tarde cozinhando. Apari ajudou a preparar os ingredientes, reclamando sempre que Éteram lhe entregava alguma tarefa que considerava desagradável. Ele descobriu rapidamente que ela preferia mexer no fogo a limpar as raízes. Ela descobriu que ele se tornava particularmente irritante quando alguém utilizava a concha de maneira inadequada.

— Você está fazendo errado.

Apari olhou para o utensílio. Depois para ele.

— É uma concha!

— Você vai derramar tudo.

Ela inclinou a peça deliberadamente. Parte do caldo escorreu sobre a chapa. Éteram arregalou os olhos.

— APARI!

Ela começou a rir. Ele tentou recuperar a concha. Apari ergueu o braço. Éteram tentou alcançar. Ela se afastou. Acabaram esbarrando na parede. A concha caiu. Os dois congelaram. Olharam para o utensílio no chão. Depois um para o outro. Apari abriu um sorriso.

— Agora você vai ter que roubar outra.

Éteram fechou os olhos.

— Eu vou te matar.

Ela riu. A refeição ficou pronta pouco depois. Comeram perto do fogo, dividindo o mesmo cobertor. Quando terminaram, Apari se acomodou ao lado dele. Éteram começou a recolher os recipientes. Ela segurou sua manga. Ele se virou. Apari olhou para ele. Depois para a fogueira.

— Deixa para amanhã.

Éteram examinou a pequena quantidade de louça suja. Não havia muita coisa. Poderia terminar rapidamente. Entretanto, Apari continuava segurando sua manga. Sentou-se novamente. Ela soltou o tecido. Alguns segundos depois, apoiou a cabeça em seu ombro. Éteram permaneceu quieto. Pela primeira vez, não precisou procurar alguma coisa para dizer.


Na última noite daquele mês, o céu ficou limpo. A neve continuava cobrindo as ruas e os telhados, mas o vento havia diminuído. A luz da lua atravessava a abertura da janela, iluminando uma pequena parte do chão. Éteram acordou durante a madrugada. A fogueira estava quase apagada. Apari dormia ao seu lado. Sua mão descansava perto da dele.

Por alguns segundos, ficou observando aquela pequena distância. Depois se levantou cuidadosamente e acrescentou mais lenha às brasas. Apari se mexeu. Abriu os olhos.

— Aonde você vai?

Éteram se virou.

— Alimentar o fogo.

Ela observou a madeira em suas mãos. Depois se acomodou novamente.

— Volta logo.

Ele assentiu. Terminou de organizar a lenha. Esperou até que uma chama suficientemente forte surgisse entre os gravetos. Quando voltou, Apari havia deixado uma parte do cobertor aberta. Éteram se deitou. Ela se aproximou imediatamente. Nenhum dos dois comentou. Depois de algum tempo, sentiu os dedos dela procurarem os seus sob o tecido. Éteram segurou sua mão. Apari permaneceu de olhos fechados.

— Éteram…

— Hm?

Ela demorou a continuar.

— Você ainda fica nervoso?

Ele olhou para ela.

— Com o quê?

Apari abriu um dos olhos. Éteram compreendeu. Seu rosto começou a esquentar. Ela sorriu.

— Idiota.

Ele ficou em silêncio durante alguns segundos. Depois respondeu:

— Um pouco.

Apari se aproximou. Deu-lhe um beijo rápido. Quando se afastou, Éteram continuou olhando para ela. Dessa vez, entretanto, não ficou imóvel. Apari percebeu. Seu sorriso aumentou discretamente.

— Está aprendendo.

Ele sorriu também. Ela se acomodou novamente, ainda segurando sua mão. Do lado de fora, o inverno continuava. Éteram observou a janela durante alguns instantes. A neve começava a parecer menos eterna. Não sabia exatamente o que aconteceria quando desaparecesse. Também não sabia se deveria perguntar. Por enquanto, Apari estava ali.

Sua mão continuava entrelaçada à dele. E, pela primeira vez desde que ela anunciara que ficaria apenas até o fim do inverno, Éteram conseguiu adormecer sem contar os dias que ainda restavam.


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